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SALÁRIO “POR FORA”: O QUE É, QUAIS SÃO OS PREJUÍZOS E COMO PROVAR?

  • Foto do escritor: Filipe Nascimento
    Filipe Nascimento
  • 18 de nov. de 2021
  • 3 min de leitura


O chamado salário “por fora” ocorre quando a empresa paga parte da remuneração do empregado sem registrar o valor no holerite ou na folha de pagamento.

Essa prática costuma ser utilizada para reduzir artificialmente os encargos trabalhistas e previdenciários. No entanto, o pagamento informal pode causar prejuízos significativos ao trabalhador, pois as demais verbas do contrato passam a ser calculadas sobre um salário inferior ao efetivamente recebido.

Se, por exemplo, o empregado recebe R$ 2.000,00 registrados no holerite e mais R$ 800,00 de maneira informal, férias, 13º salário, FGTS, aviso-prévio e outras parcelas podem estar sendo calculados apenas sobre os R$ 2.000,00.

QUAIS DIREITOS PODEM SER PREJUDICADOS?

Quando o valor pago “por fora” possui natureza salarial e é recebido de forma habitual, ele pode integrar a remuneração do empregado para todos os efeitos legais.

A ausência de registro pode gerar diferenças em parcelas como:

  • férias acrescidas de um terço;

  • 13º salário;

  • depósitos do FGTS;

  • multa de 40% do FGTS;

  • aviso-prévio;

  • horas extras;

  • adicional noturno;

  • descanso semanal remunerado;

  • contribuições previdenciárias;

  • verbas rescisórias.

O prejuízo pode ocorrer durante todo o contrato e também no momento da rescisão, pois os cálculos são realizados com base no salário oficialmente registrado.


O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO?

O artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho estabelece que integram a remuneração do empregado o salário devido e outras parcelas de natureza salarial pagas em razão do trabalho.

Por isso, não é o nome dado ao pagamento que define sua natureza. Expressões como “ajuda”, “prêmio”, “gratificação” ou “bônus” não afastam automaticamente a integração ao salário.

É necessário analisar como o valor era pago, com qual frequência e por qual motivo.

Pagamentos verdadeiramente eventuais ou de natureza indenizatória possuem tratamento diferente. Já valores habituais utilizados para remunerar o trabalho podem ser reconhecidos como parte do salário.


COMO PROVAR O SALÁRIO PAGO “POR FORA”?

A existência do pagamento informal pode ser demonstrada por diferentes meios de prova.

Entre os documentos mais relevantes estão:

  • extratos bancários com transferências recorrentes;

  • comprovantes de Pix;

  • recibos paralelos;

  • mensagens de WhatsApp;

  • e-mails;

  • planilhas de comissões;

  • anotações internas;

  • documentos assinados pela empresa;

  • depoimentos de testemunhas.

É importante preservar os documentos originais e evitar alterações ou edições nas conversas e comprovantes.

A repetição dos pagamentos, a identidade de quem realizava as transferências e a correspondência entre os valores e o trabalho desenvolvido também podem ser relevantes para a análise do caso.


O TRABALHADOR DEVE ENTRAR COM AÇÃO?

Quando há indícios de pagamento salarial não registrado, pode ser possível buscar na Justiça do Trabalho o reconhecimento da remuneração efetivamente recebida e o pagamento das diferenças decorrentes.

No entanto, o ajuizamento da ação não deve ser tratado de forma automática.

Antes de qualquer medida, é recomendável analisar:

  • a origem dos pagamentos;

  • a habitualidade;

  • os documentos disponíveis;

  • a existência de testemunhas;

  • o período em que a prática ocorreu;

  • os reflexos que deixaram de ser pagos;

  • a situação atual do contrato de trabalho.

Essa avaliação permite definir quais pedidos possuem fundamento e quais provas serão necessárias.


ASSISTA AO VÍDEO

No vídeo abaixo, o advogado Dr. Rodrigo Romero Dominiquini explica os principais prejuízos causados pelo pagamento de salário “por fora” e os cuidados que o trabalhador deve adotar.



CONCLUSÃO

O pagamento de parte do salário sem registro pode reduzir férias, 13º salário, FGTS, horas extras e verbas rescisórias.

Se você recebe valores que não aparecem no holerite, preserve os comprovantes e procure orientação antes de assinar documentos, pedir demissão ou tomar qualquer medida.

O Nascimento & Dominiquini Advogados atua em Direito do Trabalho e pode analisar a documentação para verificar se existem diferenças salariais e outros direitos relacionados ao contrato.





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